Comunidade do Rio Verde se mobiliza e índios Kiriri voltam à Caldas

Em Caldas desde 2016, tribo havia sido removida em abril desse ano. Após mobilização da comunidade, os Kiriri resolveram voltar para ficar

A tribo dos Kiriri, do cacique Adenílson de França Santos, não teve nada o que comemorar no dia do índio deste ano. No dia 17 de abril de 2018, dois dias antes da data comemorativa, a tribo recebeu um mandato de reintegração de posse solicitado pela Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG) obrigou os indígenas a sair do local que ocupavam há quase dois anos.

A partida da tribo provocou tristeza e indignação nos vizinhos da comunidade do Rio Verde, bairro rural de Caldas onde ficam as terras ocupadas pelo Kiriri. Um abaixo-assinado organizado pela comunidade juntou mais de 300 assinaturas, que foram levadas ao promotor de Caldas. Os índios, que estavam em péssimas condições em um acampamento na cidade de Patos de Minas (Triângulo Mineiro), decidiram então voltar e lutar pelo seu direito à terra.

“Quando chegamos, estava tudo do mesmo jeito. Ninguém mexeu em nada.”, afirma o cacique Adenilson, se referindo à toda estrutura que já havia sido construída no local: 9 casas de pau-a-pique, estrutura para armazenamento de água e irrigação e cercas.

Conforme noticiou o Sonha Caldas em julho de 2017, os Kiriri se adaptaram em pouco meses ao convívio na cidade de Caldas. As crianças já frequentavam a escola, os adultos já estavam integrados ao trabalho agrícola na região e comunidade já estava fazendo seu próprio plantio.

Plantação de milho e feijão dos índios Kiriri, em Caldas/MG

“Saímos daqui com 2000 pés de pimenta plantados, e já estávamos vendendo na cidade. Deixamos feijão, milho e mandioca na roça. A abobrinha conseguimos ainda colher, e vendemos cerca de 500 caixas. Agora vamos recomeçar e fazer ainda melhor”, afirma animado o cacique Adenilson. Mas o verdadeiro orgulho do cacique foram os pimentões plantados sem agrotóxicos.

A meta do Kiriri agora é conquistar o direito a permanecer na terra. O sonho é ter um posto de saúde e uma escola, que sirvam não só para os indígenas, mas para toda a comunidade do Rio Verde. E claro: um campo de futebol para animar os fins de semana. Para isso, Adenilson conta com o apoio da sociedade caldense: “Seria bom ter uma parceria com a prefeitura, mas se não for possível temos muita gente querendo nos ajudar”, afirma.

Pimentões plantados sem agrotóxicos pelos índios Kiriri em Caldas/MG

 

2 comentários em “Comunidade do Rio Verde se mobiliza e índios Kiriri voltam à Caldas

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *