A Aliança que nos une

por Bruno Elias Bernardes

Pensar na Aliança em Prol da APA da Pedra Branca, suas vitórias, derrotas e lutas é um constante exercício de reflexão sobre quem somos, o que queremos e o que podemos ser. Isto, pelo fato que a Aliança transcende sua própria realidade. Aliás, sequer é possível mensurar tal existência e suas consequências na conjuntura local, chegando, inclusive, a transpor as barreiras de nosso incipiente entendimento, alcançando as questões metafísicas que nos permeiam.

Ao olharmos para o passado recente, mais precisamente desde o início deste ano, até os dias atuais, podemos perceber diversas vitórias e derrotas; nenhuma delas permanente, mas todas significativas.

Não é possível olhar para a luta da Aliança e não relembrar o ocorrido em 22 de dezembro de 2017, quando os políticos de nossa cidade, alguns vereadores e o, até então, prefeito, decidiram por sua própria conta e risco, contrariando estudos técnicos, jurídicos e a vontade da própria população caldense, transacionar com nosso maior monumento natural, a Serra da Pedra Branca.

A alteração do art. 51 da Lei da APA simbolizou, talvez, a mais consistente derrota para a luta da Aliança nessa contenda por Caldas, mas também teve um alto custo para seus protagonistas, já que a população local pôde perceber que os representantes políticos locais não se importam com a vontade de seus eleitores.

Entretanto, mesmo com o sentimento de vazio deixado pela forma como essa alteração se deu, Caldas se uniu. Algo não visto há décadas neste chão. O povo se agremiou junto à Aliança na luta por nossa natureza, nossa Pedra Branca, nossa vida. Essa foi uma das grandes vitórias da Aliança, também.

A luta incansável não parou por aí; muito pelo contrário, foi a partir de então que se intensificou, seja ela dentro de um CONGEAPA tomado por interesses que não os de proteção da Serra da Pedra Branca, seja contra uma questionável administração pública municipal ou mesmo dentro do Judiciário, a última fronteira da legalidade.

Foram inúmeras vitórias e derrotas nos últimos meses, vaivém administrativo e judiciário, decisões favoráveis e contrárias à Pedra Branca, mas todas grandes pelejas, em que a Aliança mostrou aos poderosos que a união em torno de algo maior que nós é possível e vale a pena.

Contudo, maior e mais simbólica vitória que tivemos recentemente foi a decisão do Supremo Tribunal Federal que confirmou a constitucionalidade do art. 51, em sua forma original. Simbólica, não só pelo fato de que a mais alta corte do país ratificou que não há dubiedades na art. 51, mas sim para renovar nossa força: ao art. 51 vive!

Muitas vitórias ainda virão futuramente, e certamente derrotas, mas a Aliança permanecerá forte naquilo que nos une, Caldas e a Serra da Pedra Branca.

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