Kiriri de Caldas novamente ameaçados de despejo

Três meses após retornarem ao Bairro do Rio Verde, em Caldas, a tribo dos Kiriri está novamente ameaçada de despejo. Desta vez, um oficial de justiça de Poços de Caldas entregou ao Cacique Adenílson França Santos uma ordem de reintegração de posse em nome da Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG), dona do terreno, que se encerra nesta sexta-feira, dia 27 de outubro.

No dia 9 de outubro, 15 indígenas da tribo e lideranças do bairro Rio Verde foram à Belo Horizonte para uma reunião com a Funai e a Secretaria Estadual de Direitos Humanos. Na ocasião, não houve nenhum encaminhamento concreto. A tribo aguarda o resultado de outra reunião, a se realizar esta semana, para saber seu destino. O reitor da UEMG já declarou que não há interesse em construir um campus no local. Assim, a doação da terra para demarcação dependeria apenas do estado de Minas Gerais.

Os Kiriri chegaram a Caldas em outubro de 2016, vindos de Muquém do São Francisco, no oeste baiano. A migração foi motivada pela falta de espaço na área demarcada na região, e também pelas degradação ambiental do Rio São Francisco: a pesca era a atividade principal dos indígenas, mas foi ficando cada vez mais escassa. Os Kiriri já estavam bem estabelecidos no terreno em que ocuparam: construiram casas de taipa e iniciaram a plantação. No entanto, em abril de 2017 um ordem judicial determinou o despejo da tribo.

No pouco tempo em que ficaram em Caldas, os Kiriri teceram fortes laços de amizade. Sandra Paula das Dores, liderança comunitária, afirma que não queria que os índios fossem embora: “Não queríamos que eles saíssem. Por nós, eles ficavam na igreja por um tempo até poderem voltar à terra.”

Mesmo assim, os Kiriri decidiram partir. Carliuza Francisca Ramos, outra liderança indígena, afirma que após a partida, em abril de 2017, recebia telefonemas todos os dias da comunidade, perguntando quando voltariam: “Nós nem sabíamos que tínhamos tanto apoio da comunidade”. E foi assim que, em julho de 2018, moradores do Rio Verde se uniram e conseguiram um caminhão para trazer os Kiriri de volta a Caldas: “Cada um ajudou como pode, e até uma empresa contribuiu”.

Adenílson conta ainda que nas reuniões em Belo Horizonte, soube que a pressão pelo primeiro despejo partiu do ex-prefeito de Caldas. Após a troca de prefeitura, os Kiriri foram recebidos pelo novo prefeito Alex, e agora contam com assistência médica.

Desta vez, o cacique afirma que os Kiriri ficam: “Temos 13 famílias, com 12 casas já construídas. Já estamos plantando feijão de corda, milho, mandioca, inhame. Já temos dois jovens na escola, e não vamos sair daqui”.

Galinha passeia pelo terra recém-preparada para o plantio na Aldeia Kiriri. Foto: Uschi Silva

 

Um comentário em “Kiriri de Caldas novamente ameaçados de despejo

  • 23 de outubro de 2018 em 22:50
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    Uma vergonha o que tem acontecido com este povo trabalhador e ordeiro. Triste acompanhar este fato. Eles só quem um cantinho para viver! Que país é este meu Deus, onde os verdadeiros donos de tudo, não podem sequer ter um pedacinho de terra… Que triste reflexo dos tempos!

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