Parlamentares visitam acampamento em Campo do Meio e comprovam grande produção agrícola

Audiência reuniu 4 deputados federais, além de 2 deputados estaduais, vereadores, universidades e outros apoiadores de cidades vizinhas. 2000 pessoas correm risco de serem despejadas e perder o trabalho de 20 anos

por Alan Tygel

Uma audiência conjunta das Comissões de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais e do Congresso Nacional foi realizada ontem no Quilombo Campo Grande, acampamento de 20 anos que reúne 2000 pessoas em Campo do Meio (MG) e está em risco de sofrer um despejo. Estiveram presentes quatro deputados federais – Luiz Couto (PT-PB), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, João Daniel (PT-SE), Valmir Assunção (PT-BA) e Adelmo Leão (PT-MG). O deputado estadual e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia de MG, Cristiano Silveira (PT), também esteve presente, com seu colega Rogério Correia (PT). A audiência teve também a presença do procurador do Ministério Público de MG, Afonso Henrique.

O evento foi precedido de uma vistoria nos 11 acampamentos que compõem a área. Os parlamentares fizeram o mesmo percurso realizado pelo juiz Walter Zwicker Esbaille Júnior, que decretou a ordem de despejo afirmando que havia poucas pessoas na área, sem produção significativa. Não foi o que os parlamentares observaram: abundância de frutas, pés de café de mais de 10 anos e outras roças deram o tom da visita. Representantes da Unifal, que também estiveram presentes, fizeram um levantamento comprovando a existência no local de 418 casas de alvenaria, 1.200 cabeças de gado, 1000 porcos, 102.610 árvores e 20 mil galinhas.

Diante de um público de 500 pessoas, entre moradores da área e apoiadores de várias cidades da região, as autoridades presentes relataram o que viram na visita e se comprometeram em apoiar a permanência das famílias na terra. A presidenta da CUT-MG e deputada estadual eleita Beatriz Cerqueira fez um convite a quem duvida da produtividade na área depois da chegada do MST: “Tem gente que tem medo de povo. Desafio cada deputado a pisar os pés neste terra. A elite acha que pode falar por nós, mas quem fala por nós é o povo que planta neste chão.”

A audiência foi finalizada com um ato ecumênico coordenado pelo Frei Gilvander, da CPT: “Deus fez a terra, as águas e o ar para os homens. Mas Deus não fez as cercas, e nem deu escritura para ninguém. Assim como Jesus gostava de curar as pessoas, vocês também curam produzindo alimento saudável sem venenos. Por isso, continuar esta luta é uma necessidade espiritual”.

Entenda o caso

A Usina Ariadnópolis, em Campo do Meio, foi à falência em 1996 deixando uma dívida de mais de R$ 300 milhões com o estado e com trabalhadores. Em 1998 o MST ocupou a área junto com diversos ex-trabalhadores. Hoje, o local agrega 450 famílias, e na última safra foram produzidas 8,5 mil sacas de café, 55 mil sacas de milho e 500 toneladas de feijão. Já estão plantadas 1,7 milhão de pés de diversas culturas e mudas, e para 2019 a expectativa é plantar mais 1,3 milhão, totalizando 3 milhões de mudas e pés.

No dia 7 de novembro, uma liminar de despejo foi aprovada pelo juiz Walter Zwicker Esbaille Júnior a pedido do suposto dono da Usina, Jovane de Souza Moreira. A área estaria arrendada pelo maior produtor de café do mundo, João Faria da Silva, que comercializa grãos para as maiores marcas internacionais.

Grande público de moradores e apoiadores acompanhou a audiência
Daniel Tygel, da Aliança em Prol da APA da Branca (Caldas), e Jorge Ferreira, do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Carmo de Minas e região levaram o apoio da sociedade à Campo do Meio. Vereadores de Campo do Meio e representantes do comerciantes da cidade também marcaram presença.

 

5 comentários em “Parlamentares visitam acampamento em Campo do Meio e comprovam grande produção agrícola

  • 27 de novembro de 2018 em 18:03
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    Tenho certeza que a justiça vai ser feita pelo povo guerreiros que estão na terra.pq antigamente campo do meio não esitia feira na cidade e hoje tem vários programas sociais torço para reforma agrária

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  • 27 de novembro de 2018 em 19:11
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    Vcs nao pode sair dai nao e direitos adquiridos vcs da renda pro pais eu tenho o maior reconhecimento por vcs 😍😘Deus esta cvs 💖

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  • 1 de dezembro de 2018 em 15:37
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    Muito bom esse jornal. Parabens,

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  • 3 de dezembro de 2018 em 16:55
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    É necessário muita luta mesmo para barrar tão cruel ameaça de despejo. Os pequenos produtores que garantem o alimento orgânico em nossas messas, então por que despejar tantas famílias que trabalham nessa terra?
    Pelo amor de Deus, senhor juiz, não seja tão cruel com tantas famílias do Acampamento em Campo do Meio.
    Unimo-nos a todas essas famílias de Campo do Meio, nós Irmãs Carmelitas da Caridade de Vedruna : responsável Irmã Idalina Barion

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  • 8 de dezembro de 2018 em 12:38
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    Este povo guerreiro do acampamento de Campo do Meio, pode tera certeza que Deus está do lado de vocês, para que continuem este trabalho fantástico de produzir alimentos livres de agrotóxicos, que a todos só bem faz. Toda nossa solidariedade e empenho nesta luta, principalmente neste momento de tempos “bicudos” que estamos a viver.

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