Consumo Responsável foi tema de seminário em Caldas

Grupo Araucária Viva trouxe convidadas do Rio de Janeiro e São Paulo para debater as formas de consumir e a responsabilidade de quem compra

por Alan Tygel, com foto de Cuia Guimarães

Consumir é um ato político. O que é melhor para o planeta: comprar um produto ultraprocessado no supermercado, com alto teor de açúcar, gorduras e conservantes, ou comprar produtos in natura diretamente de agricultores que não utilizam agrotóxicos?

Em torno destas reflexões, aconteceu neste domingo (27) a Oficina sobre Grupos de Consumo Responsável. O evento foi realizado no Barracão de Artes e Criatividades, e foi conduzido por Thaís Mascarenhas, do Instituto Kairós, de São Paulo. O Kairós atua desde 2000 apoiando grupos de consumo responsável, e Thaís é autora de várias publicações sobre o tema.

Na primeira parte da oficina, o público foi dividido em quatro grupos, e cada um recebeu um alimento: um saco de feijão sem rótulo comprado diretamente de um agricultor; uma lata de Red Bull; um pote de Ioio Mix; e um pacote de trigo orgânico em grãos da Ecobio.

Os grupos debateram em torno das seguintes perguntas: Como esse produto foi produzido? Como chegou até aqui? O que sabemos e o que não sabemos sobre ele?

Entre as diferentes reações provocadas nos participantes, chamou atenção o fato de que a lata de Red Bull havia sido produzida na Áustria, e a quantidade de ingredientes com nomes impronunciáveis que havia no Ioio Mix. Ao mesmo tempo, ambos apresentam embalagens altamente sedutoras, ao contrário dos alimentos saudáveis.

No intervalo foi servida tapioca de massa puba, produzida pelo agricultor Pedro Martins. Ele explicou o processo de produção da puba, que inclui 15 dias de fermentação da mandioca ralada.

A segunda metade da oficina foi mais específica sobre o funcionamento de grupos de consumo responsável. Ruth Freihof apresentou o funcionamento da Rede Ecológica, do Rio de Janeiro. A Rede é um dos grupos mais antigos do Brasil, e conta com mais de 200 famílias, organizadas em 10 núcleos. As compras de produtos frescos (frutas, legumes e verduras) são feitas semanalmente, enquanto os secos (arroz, farinhas, óleos) acontecem mensalmente. Todos os participantes possuem alguma função no grupo, desde o contato com produtores, gestão financeira até organização das entregas na central de distribuição e nos núcleos espalhados pelos bairros do Rio de Janeiro.

Fotos: Ruth Freihof

Ruth ressaltou o caráter político do grupo de consumo, que além de educar os participantes, também se envolve em causas como a luta pela reforma agrária, contra os agrotóxicos, e contra o uso de sacos plásticos.

Em seguida, Sueli Landi e Patrícia Braga apresentaram o funcionamento do Grupo de Consumo Araucária Viva, de Caldas. Atualmente, o grupo conta com cerca de 10 consumidores ativos. A ideia nasceu como forma de facilitar a compra de produtos vindos de outras cidades como café de Poço Fundo, ou cogumelos de Andradas, mas também como forma de incentivar as famílias de agricultores orgânicos de Caldas.

O Grupo de Consumo Araucária Viva realiza pedidos a cada duas semanas. Na primeira parte do ciclo, uma pessoa do grupo entra em contato com os fornecedores para saber a disponibilidade de produtos. Os produtos então entram em site, onde os consumidores têm um período para realizar o pedido. Finalmente o pedido é entregue, e os pagamentos são feitos diretamente aos agricultores. O grupo não cobra nenhuma taxa, e todo o trabalho é feito de forma voluntária.

Como resultado da oficina, o Grupo Araucária Viva pretende realizar uma reunião de acolhida para atrair mais participantes e fortalecer o consumo responsável na cidade de Caldas.

Conheça mais acessando a Biblioteca do Consumo Responsável.

Foto: João Guimarães

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